segunda-feira, 6 de outubro de 2025

TANQUE CHEIO

 Dino de Alcântara

MICROCONTO DE DIREITA  (OU QUASE ISSO)

 


Já lhe tinham dito que os postos de combustíveis de são Luís estavam entregando menos gasolina do que o contratado, mas Pimenta, delegado da Polícia Federal no Maranhão, não quis acreditar. Certamente era Fakenews. Como, se a ANP fiscaliza esses postos costumeiramente? Dizia que com ele nunca acontecera isso. Sempre caía a quantidade paga.

Até que um dia, passando pela Jerônimo de Albuquerque, parou num posto, uma vez que estava quase na reserva.

Mandou o frentista completar o tanque de seu Kicks.

O frentista colocou a bomba para funcionar. Enquanto isso, Pimenta passou o dedinho na tela do celular em busca das famigeradas mensagens de WhatsApp, que não eram poucas. E a bomba jogando gasolina no tanque.

Ao final, o frentista bateu no vidro do carro e despertou um absorto condutor.

– Doutor, completei.

Pimenta olhou direito. Não estava acreditando. 392,22! Mas como?!

– Rapaz, onde tu botou essa gasolina toda?

O frentista riu.

– No tanque, sô!

– Mas como? Ele não pega isso tudo.

– Ora se não.

Aí Pimenta teve uma ira daquelas. Mas conseguiu manter a calma. Estava sendo roubado. O pior é que o frentista poderia ser inocente! Pensou melhor e propôs:

– Pega meu celular, toma uma distância segura dessa bomba e consulta na internet quanto este carro pega de gasolina na bomba. Toma o celular e faz isso, por favor.

O frentista, meio sem jeito, pegou o celular do condutor, saiu um pouquinho de perto da bomba e consultou. 41 litros.

Voltou. 

– Doutor, tá aqui o celular. Deu 41 litros.

– E aí? Não tem nada errado.

– Não.

– Olha bem.

Ele olhou e não notou nada.

– Deixa eu te explicar. O tanque pega 41 litros. A gasolina está 6,20. Isso multiplicado por 41 litros... dá quanto?

Fez o cálculo na calculadora do celular.

– Olha aqui: deu 254,22. E olha que nem estava na reserva ainda.

– Então deve ter sido isso.

– Isso o quê?

– Não estava na reserva.

– E aí pega mais?

– É.

– Não estou acreditando no que estou ouvindo! Tu acha que um copo com um pouco de cerveja dentro pega mais cerveja do que um vazio?

Ele pensou bem, riu e disse:

– Não, sô. Estou burrinho da cabeça hoje!

– Pois é. Faz de conta que o meu carro estava com tanque vazio, sem uma gota de combustível e tu encheu... Quantos litros de verdade?

– Quantos litros o quê?

– Cabem neste tanque?

– 41.

– Multiplica por 6,20. Dá quanto? 254,22.

Pegou da carteira duas notas de 100, uma nota de 50 e uma de 10.

– Toma! Não quero o troco. É teu. Anota a minha placa, tira foto do meu rosto. Diga ao seu gerente que o posto será investigado. Sou da Polícia Federal.

– Doutor, eu não fiz nada!

– Eu sei. Você é inocente, mas o posto não! Está assaltando os clientes, entregando menos combustível do que entrega.

  Oh! Doutor... E agora?

  Agora, continue fazendo o seu trabalho.

  E esse valor todo da bomba?

  O gerente ou o dono do posto é que vai pagar!

E saiu, com uma sensação de que o Maranhão era uma terra perdida!

 

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

O COME-E-BEBE

 Dino de Alcântara

 

 A Benedito Buzar, que me contou esse episódio, quase uma anedota

 

Em 1955, as Oposições Coligadas, da qual fazia parte Neiva Moreira, lançaram o nome do brigadeiro Hugo da Cunha Machado para concorrer ao Palácio dos Leões e enfrentar o nome da situação, isto é,  o Vitorinismo.

Quando a candidatura do deputado federal ganhou corpo na Assembleia Legislativa do Estado, o governista Chagas Araújo, talvez temendo a investida da oposição, criticou duramente o adversário, no que foi aplaudido pelos colegas do PSD.

Defendendo o tio, o deputado José Ribamar Machado, que também havia abandonado o partido da situação, subiu na tribuna e fez duras críticas a Chagas:

DEP. RIBAMAR MACHADO (a Chagas.) – Vossa Excelência critica a possível candidatura de meu tio, deputado federal Hugo da Cunha Machado, porque sabe que ele é o único nome na oposição que tem grandes chances de vencer o pleito no Maranhão, derrotando essa oligarquia que só empobrece o nosso povo. Mas tenho certeza absoluta de que, caso meu tio seja eleito governador do Estado, Vossa Excelência será o primeiro deputado a aderir ao seu governo.

DEP. CHAGAS ARAÚJO (Num aparte, indignado.) — Vossa Excelência tem toda razão. Estou criticando duramente a possível candidatura do deputado Hugo da Cunha Machado ao governo, como bom governista que sou, mas quero deixar bem claro aqui que, caso se confirme a candidatura do deputado e caso ele seja eleito governador, Vossa Excelência pode ter certeza disto: vou continuar comendo e bebendo no Palácio dos Leões.


 

O CAÇADOR DE COMUNISTAS

  Dino de Alcântara     A Stanislaw Ponte Preta   Corria o ano de 1971, com tensões de lado a lado (tanto da situação quanto da oposição...