terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

DINHEIRO E PODER

 Dino de Alcântara

 

Teatrinho a Vapor

 

LÍDIA – Esposa de Itevaldo. Mulher deslumbrante. Tem, no máximo, 40 anos. Vê-se que apresenta características de uma modelo ou ex-modelo.  

ITEVALDO – Senhor idoso, já na casa dos 70 anos, mas com aparência de quase 80. É procurador aposentado.

MANOEL – Rapaz jovem que não pode ver uma mulher bonita que se deixa mergulhar numa fantasia

ANDRÉ – Rapaz jovem. Amigo de Manoel.

 

Cenário: Praça Pedro II.

A cena passa-se em dezembro de 2025.

 

Prólogo: Itevaldo e Lídia caminham pela praça, vendo o Natal Luz de São Luís, com os Palácios dos Leões e de La Ravardière, sede da Prefeitura, bem iluminados. Estão de mãos dadas, o que chama a atenção, pela beleza estonteante da figura feminina, em contraste com aquele senhor que deveria estar em casa brincando com os netos, ou com os bisnetos. Manoel e André veem aquela Helena passeando com um Menelau mais velho que Trump.

MANOEL (Olhando aquela Helena e imaginando que pudesse ser ele, não o velho, o seu marido.) – André, o que que esse cara tem que eu não tenho?

LÍDIA (Que deve ter escutado ou imaginado a indagação daquele moço que nem havia passado em concurso ainda.) Dinheiro!

 

(Os dois baixam a cabeça e saem de fininho da cena).



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O FARDO DO CASAMENTO

 

Dino de Alcântara

 

Teatrinho a Vapor

 

DR. LEOCÁDIO – Desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão. Homem na casa dos 60 anos, é casado, em segundas núpcias, com D. Angélica, que tem idade de ser sua filha.

D. ANGÉLICA – Mulher vivace, astuta, com postura à frente do seu tempo, é casada há 7 anos, com o Dr. Leocádio. Lê tudo o que aparece em sua frente.

FIGURANTES

 

Cenário: Sala da casa do Casal na Rua do Passeio.

A cena passa-se em 1959.

 

PRÓLOGO:  O casal, após o jantar, em que compareceram alguns amigos da política e do judiciário, saboreia um cafezinho e conversa frivolidades da terrinha.

  

DR. LEOCÁDIO (Olhando para os seus amigos do Tribunal de Justiça e para os colegas da Assembleia Legislativa.) Dizia Humberto de Campos... não me lembro em qual livro... Dizia que o casamento é um fardo tão pesado, que precisa de dois para carregá-lo...

D. ANGÉLICA (Num rasgo de sinceridade.) – Às vezes, de três...


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

UMA CABEÇA TÓXICA

Dino de Alcântara

 


Na sala de aula da Universidade Federal do Maranhão, a professora Nilcal Pinto chega com uma expressão de irritação.

Faz logo a chamada, para pôr faltas nos alunos que ainda estavam metidos nos ônibus do campus.

Uma aluna, a Jerusa, afirma que muitos ainda não estão na sala e que a docente poderia aguardar mais alguns minutos.

Ela, a docente, finge não ouvir. E continua.

Na metade da aula, a docente, mais irritada ainda que quando entrou, desfere uma série de impropérios contra os alunos, que eles não estudam, que a carreira de professor é só para loucos, que eles fazem muito bem em procurar outro curso, que não a licenciatura.

E os alunos escutando aquele desabafo.

– Esta universidade é toda tóxica. O nosso curso, então, o que dizer... Aqui a gente adoece é cedo, meus queridos. Não tem irmandade, nem humanidade. Aqui é cada um por si.  

Diante dos olhares de todos:

– Se botassem paredes em volta do campus, viraria um hospício isso aqui. – E ri-se, sozinha.

– Mas, professora... – tenta contornar a situação a Jerusa.

– O que, Jerusa? – Interrompe a aluna. – Aqui não tem jeito. É tudo muito tóxico.

– Mas, professora, desculpa em lhe dizer isto:

– O quê, minha filha?

– Me perdoe...

– Pode falar...

A aluna deve ter acabado de ler A Luneta Mágica, de Joaquim Manuel de Macedo.

– E não será a sua cabeça?

– O que tem a minha cabeça?

E diante dos olhares de todos os alunos:

– Que é tóxica?

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

VERDADE OU MENTIRA?

 Dino de Alcântara

 

A professora Rita, de Português, diante da turma do segundo ano da Escola Zé Sarney, em Pinheiro, estressada com o comportamento de alguns alunos, faz um longo sermão.

Ao fundo, o Olavinho escuta calado, tendo certeza de que o sermão era endereçado a ele também.

E a professora continua:

– Devemos ter ética em nossa vida. E ter ética é sobretudo não espalhar mentiras.

Depois de uns segundos em silêncio:

– Vamos parar com essa história de inventar coisas sobre os coleguinhas. Quem aqui disse que o professor de Artes é gay?

Todos em silêncio sepulcral.   

E quem foi dizer que o professor de matemática não toma banho? 

Todos os alunos quietinhos, inclusive o Olavinho!

– Mentir é a coisa mais feia do mundo! Quem mente está alimentando a vontade do diabo, que é o pai da mentira!

Todos submissos, ouvindo o sermão!

Ela se senta bem perto de Olavinho: 

– Por acaso, vocês já me viram mentir alguma vez?

O Olavinho, que tinha a língua maior que o mundo, não se conteve:

– Hoje não, pefessora!

 

DINHEIRO E PODER

  Dino de Alcântara   Teatrinho a Vapor   LÍDIA – Esposa de Itevaldo. Mulher deslumbrante. Tem, no máximo, 40 anos. Vê-se que apresenta ...