segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

ACADEMIA? QUE ACADEMIA?!

 Humberto Campos de Alcântara

 

Imagem ilustrativa: Intelectuais sentados num "café", 
"discutindo" literatura. Rio de Janeiro, início do Século XX. 

 

Na Feira do Livro de 2023, na Praça Maria Aragão, a organização do evento colocou um café com mesas e cadeiras, para que os intelectuais, e também os que não se consideram como tal, pudessem sentar, saborear um café expresso, um cappuccino e conversar sobre frivolidades, sobre poesia, sobre política, sobre a vida alheia e, por que não, sobre literatura.

 


 

Numa das mesas, um grupo da Academia Maranhense de Letras: Lourival Serejo, Félix Alberto, José Neres, Alex Brasil, Benedito Buzar, entre outros, conversavam sobre o festejado ano gonçalvino.

Enquanto aguardava a atendente preparar o meu café expresso, um cidadão metido a halterofilista pagava o seu tíquete, sem o qual não poderia solicitar a xícara do precioso líquido.

A moça me serviu, mas esqueceu de deixar à mão o açúcar e a colherzinha de mexer. Então fiz logo uma reclamação, para não perder a mania. Olhando para mesa dos imortais da AML, disse em tom de gozação:

– É... tu só serve muito bem os caras da academia, não é?

Ela, levando na brincadeira, espiou o sujeito que ainda estava no caixa, voltou-se para mim e asseverou:

– Nem de bombado eu gosto!


 


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

NERES E O VENDEDOR DE PEIXE

 

Aluísio de Alcântara

 

Dizem as más línguas do Maranhão (segundo Mauro, não são poucas) que Neres, para ilustrar uma publicação de uma narrativa curta, pediu à Inteligência Artificial (I.A.) que lhe desse uma imagem de um vendedor de peixes à moda antiga (com pau de carga no ombro, etc.)... no fundo pelo menos dois barcos do Cujupe (poderia ser de Ribamar, mas pediu do Cujupe)... pediu também que fosse o Rio Bacanga a imagem de fundo... pediu chapéu na cabeça dos barqueiros, para dar mais verossimilhança... pediu o vendedor nu da cintura para cima, com uma barriga enorme (talvez se lembrando de alguma imagem descrita em O  Mulato, de Aluísio Azevedo)

E.... depois de alguns segundos...

Recebeu a seguinte imagem...
 

 

 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

FERNANDO PESSOA EM CODÓ

 

Aluísio de Alcântara

 

 

Salão nobre da AML. Fim de tarde, ainda poucos acadêmicos para a reunião daquela quinta-feira de outubro de 19... Dois intelectuais conversavam sobre o poema Autopsicografia, de Fernando Pessoa. Um deles tinha ouvido Bandeira Tribuzi ler essa poesia na famosa Movelaria Guanabara nos anos 40. O outro disse que era um poema perfeito!

Estavam nessa discussão, quando adentra o recinto o imortal conhecido por alguns por Zé Bilontra, nome tomado de empréstimo de uma das obras de Arthur Azevedo. Essa alcunha quem havia dado era Zé Vintém, que assinava uns epigramas no jornal O Globo.

 Ao saber que estavam tratando de poesia, pediu para recitarem e, depois, perguntou de quem eram esses versos bem rimados.

INTELECTUAL 1 – Então não conhece? É de Fernando Pessoa?

ZÉ BILONTRA – Sim, sim! Conheço muito!

INTELECTUAL 2 – Depois de Camões é o maior poeta de Portugal!

ZÉ BILONTRA – É. Pode ser.

INTELECTUAL 1 – Seus heterônimos são criações de um gênio!

ZÉ BILONTRA – Hétero o quê?

INTELECTUAL 1 – Heterônimo, isto é, um nome fictício que um poeta usa como sendo o autor de sua obra.

ZÉ BILONTRA – Ah, sim. Conheço bem.

INTELECTUAL 2 – Então conhece Fernando Pessoa mesmo?

ZÉ BILONTRA – Muito. Eu o conheci muito em Codó, quando viajava para Caxias pelo Itapecuru.  

 

 

   

 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

RECORDAÇÃO

 MICROCONTO

 

  José Neres

 

Encontrou uma foto dele no lixo.

Sorriu. 

Ele finalmente estava no lugar adequado... 

 

 
 
Narrativa extraída do livro EM FAMÍLIA, de José Neres. 
São Luís. Edição digital. 2019.
 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

MAR MORTO OU AULA MORTA?

 

 Dino de Alcântara




 Centro de Ensino de Médio... ou melhor, Educa Mais, por ser de tempo integral...

No final da manhã, aula de Literatura com a professora Rosário.

No quadro, no lugar de frases, a tela do Datashow. Slides sobre o romance Mar Morto, de Jorge Amado.

No fundo da sala, Rui e Thiago com atenção total. Não piscavam, não sorriam... Precisavam passar no vestibular da UEMA. Havia muita pressão da família, sobretudo dos pais.

A professora mostrava o slide sobre o veleiro de Guma.

Rui marca um X de maneira a fechar o Jogo da Velha. Pronto. 3x1 para ele. Novo Jogo da Velha na outra folha do caderno de matérias (na matéria de Literatura). Thiago precisava muito ganhar mais duas partidas. A vida é assim: ou se ganha ou se perde!


 

 

 

O CAÇADOR DE COMUNISTAS

  Dino de Alcântara     A Stanislaw Ponte Preta   Corria o ano de 1971, com tensões de lado a lado (tanto da situação quanto da oposição...