Na sala de aula da Universidade Federal do Maranhão, a professora Nilcal Pinto chega com uma expressão de irritação.
Faz logo a chamada, para pôr faltas nos alunos que ainda estavam metidos nos ônibus do campus.
Uma aluna, a Jerusa, afirma que muitos ainda não estão na sala e que a docente poderia aguardar mais alguns minutos.
Ela, a docente, finge não ouvir. E continua.
Na metade da aula, a docente, mais irritada ainda que quando entrou, desfere uma série de impropérios contra os alunos, que eles não estudam, que a carreira de professor é só para loucos, que eles fazem muito bem em procurar outro curso, que não a licenciatura.
E os alunos escutando aquele desabafo.
– Esta universidade é toda tóxica. O nosso curso, então, o que dizer... Aqui a gente adoece é cedo, meus queridos. Não tem irmandade, nem humanidade. Aqui é cada um por si.
Diante dos olhares de todos:
– Se botassem paredes em volta do campus, viraria um hospício isso aqui. – E ri-se, sozinha.
– Mas, professora... – tenta contornar a situação a Jerusa.
– O que, Jerusa? – Interrompe a aluna. – Aqui não tem jeito. É tudo muito tóxico.
– Mas, professora, desculpa em lhe dizer isto:
– O quê, minha filha?
– Me perdoe...
– Pode falar...
A aluna deve ter acabado de ler A Luneta Mágica, de Joaquim Manuel de Macedo.
– E não será a sua cabeça?
– O que tem a minha cabeça?
E diante dos olhares de todos os alunos:
– Que é tóxica?

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