segunda-feira, 18 de agosto de 2025

UMA ESMOLINHA PARA UM POBREZINHO

 

Dino de Alcântara

CONTO-ANEDOTA

 

Terça-Feira Gorda de Carnaval de 1957 em São Luís. Baile de máscaras no Cassino Maranhense.

Já com uns bons goles de uma batida de maracujá, Dona Anica, viúva rica, com vários pretendentes batendo à sua porta e levando um não na cara, dança ao som de “Ei, você aí /Me dá um dinheiro aí”, já bem alegre, quando chega ao ouvido um sussurro em forma de pedido. Era o comerciante Antunes que suplicava uma esmolinha.

– Pode-se suplicar uma esmolinha...

Ela, parando a dança...

– Que esmolinha, senhor?

– Um beijo neste pobrezinho que anda com tanta fome...

Dona Anica, com um riso malicioso, que ela adorava, segredou-lhe:

 

– Já dei muita esmola hoje aos meus pobrezinhos...

E voltou a dançar, já com outra marchinha sendo tocada pela orquestra do Mestre Gervásio:

“Ó, abre alas, que eu quero passar...”

 

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