segunda-feira, 29 de setembro de 2025

O COME-E-BEBE

 Dino de Alcântara

 

 A Benedito Buzar, que me contou esse episódio, quase uma anedota

 

Em 1955, as Oposições Coligadas, da qual fazia parte Neiva Moreira, lançaram o nome do brigadeiro Hugo da Cunha Machado para concorrer ao Palácio dos Leões e enfrentar o nome da situação, isto é,  o Vitorinismo.

Quando a candidatura do deputado federal ganhou corpo na Assembleia Legislativa do Estado, o governista Chagas Araújo, talvez temendo a investida da oposição, criticou duramente o adversário, no que foi aplaudido pelos colegas do PSD.

Defendendo o tio, o deputado José Ribamar Machado, que também havia abandonado o partido da situação, subiu na tribuna e fez duras críticas a Chagas:

DEP. RIBAMAR MACHADO (a Chagas.) – Vossa Excelência critica a possível candidatura de meu tio, deputado federal Hugo da Cunha Machado, porque sabe que ele é o único nome na oposição que tem grandes chances de vencer o pleito no Maranhão, derrotando essa oligarquia que só empobrece o nosso povo. Mas tenho certeza absoluta de que, caso meu tio seja eleito governador do Estado, Vossa Excelência será o primeiro deputado a aderir ao seu governo.

DEP. CHAGAS ARAÚJO (Num aparte, indignado.) — Vossa Excelência tem toda razão. Estou criticando duramente a possível candidatura do deputado Hugo da Cunha Machado ao governo, como bom governista que sou, mas quero deixar bem claro aqui que, caso se confirme a candidatura do deputado e caso ele seja eleito governador, Vossa Excelência pode ter certeza disto: vou continuar comendo e bebendo no Palácio dos Leões.


 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

O CAVALO SOU EU

 Dino de Alcântara

   


Em meados de 1963, apareceu em Santa Eulália, município de Palmeirândia, um negociante de bois e cavalos. Já tinha vendido os dois bois que havia levado e restava apenas o cavalo.

Ao passar na porta da casa de Domingas Preta, dá com Raimundo Ponta-Queimada abancado num mocho, bem perto de um oitizeiro. Anuncia-se e oferece o cavalo, dizendo que era muito manso e que era uma pechincha.

Ponta-Queimada, que já tinha o seu, fogoso, de nome Faísca, cavalo muito afamado em toda a região, não deu conversa para o negociante.

Mas o homem era insistente. E assegurou que daria um desconto. Ponta-Queimada disse que não.  Não queria.

Mas o negociante era teimoso. Tinha todas as manhas de um vendedor que não perde uma venda.

– O senhor monta num animal desse e, saindo daqui umas quatro da manhã, banda de cinco horas está dentro de Pinheiro.

Ponta-Queimada levantou-se do mocho, olhou bem na cara do sujeitinho e desferiu:

– E o que diabo eu vou fazer em Pinheiro cinco horas da madrugada?


 

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

O LADRÃO

 

Dino de Alcântara

CONTO-ANEDOTA

– Então, seu Zé Preá... – quis saber o delegado. – De novo por aqui?

– Pois é, delegado.

– E o que o senhor roubou desta vez?

– Eu não roubei nada, não, senhor.

– Mas não foi o que me disseram... 

– O senhor não sabe que achado não é roubado?...

– E o que o senhor achou desta vez? – Indagou o delegado, com um risinho no canto da boca.

– Uma corda... já velha. Não tinha muita serventia. Estava lá na Campina do Jacruá. Soltinha no capim.

– Sei...

– Aí eu peguei e trouxe pra casa.

– E não tinha dono?

– Como, se estava solta? Quer dizer, não estava amarrada em nenhuma árvore...

– Tá bem...

– Posso ir pra casa, doutor?

– Foi só a corda mesmo que o senhor pegou para levar pra casa?

– Estou lhe dizendo...

– Então, está livre! Mas... cuidado... Se roubar até uma cuia, eu boto no xadrez.

– Siô, a corda estava solta...

O delegado ficou matutando melhor:

– E essa corda não tinha nada?

Zé Preá foi ganhando a rua, com um risinho canalha:

– Tinha uma vaca na outra ponta.


 


DINHEIRO E PODER

  Dino de Alcântara   Teatrinho a Vapor   LÍDIA – Esposa de Itevaldo. Mulher deslumbrante. Tem, no máximo, 40 anos. Vê-se que apresenta ...