Dino de Alcântara
Não se sabe quem botou esse nome, mas o certo era que Hulk crescera ouvindo chamá-lo assim.
Morador do Cohatrac, desde que fora adotado por uma senhora idosa, vivia pelas ruas com total liberdade, só vindo para casa, por conta da comidinha e do leito macio que a sua tutora (sim, ele era um cão) dispunha para ele.
Tinha verdadeira adoração por perseguir carros e motos, sobretudo os vermelhos. Gostava também de correr e morder crianças nas bicicletas de rodinhas.
Na Avenida Leste-Oeste, mordera um morador, por ter ralhado com ele. Ora, se não estava fazendo nada, porque diabos tinha sido xingado? Mordeu, sim, e à traição, enquanto o homem abria o portão da casa. Nesse dia, quase o pegam. Teve que sair correndo. O homem, com a coxa sangrando, pegou um cacete e correu atrás. Teve que se esconder numa padaria, até que o homem deixasse a vingança de lado e procurasse uma UPA.
Viver nas ruas tinha um gosto da liberdade, mas era, muitas vezes, muito arriscado.
Havia três dias que ele, por pouco, não tinha ido para o mundo dos mortos. Estava na avenida, quando viu do outro lado, uma moto vermelha. Não pensou duas vezes. Correu para atravessar a avenida. Vinha um carro conduzido por uma mulher. Ele ainda sentiu o baque, a dor, mas felizmente ela era do tipo que protegia os animais. Até levava ração e água no carro para botar para os animaizinhos de rua. Ela levou um susto, desviou o carro a tempo, subindo na calçada, atropelando uma criança numa bicicleta.
Graças a Deus, disse a condutora, depois, num áudio num grupo de WhatsApp, que não acontecera nada com o animalzinho.
E a criança... bem a criança está internada ainda no Socorrão II, mas está bem. Só precisando de uma pequena cirurgia. Vai ficar sem sequelas.
Quanto a Hulk... ele passou ontem correndo atrás de uma moto vermelha!

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