segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

TOMAR O QUÊ?

 Dino de Alcântara

 CONTO-ANEDOTA

Dois soldados da Força Policial do Maranhão caminhavam pela Rua da Palma, depois de passarem pela Rua do Sol e pelo Largo do Carmo, naquela noite de novembro de 1908, quando um deles, o mais novo, estaca e segura o colega de farda pelo braço:

– Bastião, já andamos do Campo de Ourique pra cá, e nada. Tudo quiriri!

– É mermo, Buré!

Para os lados da Sé, tinha um movimento. Para as bandas do Largo do Desterro, uma batucada, que não dava para se saber o que era. Só se sabia que tinha grode por lá.

– Bastião, tu tem coragem de fazer o diabo hoje?

O branco se espanta: 

– Fazer o quê, Buré?

Buré, que andava fazendo umas lições com a professora Leocádia, para aprender a ler e subir a cabo, se lembrou da palavra tomar, que podia significar beber, e despejou à queima roupa:

– Que tá nós tumar uma?

Bastião ficou pensando, pensando, até que lhe veio à mente:

  E vamos tumar de quem, meu preto?  

 

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