Dino de Alcântara
CONTO-ANEDOTA
Dois soldados da Força Policial do Maranhão caminhavam pela Rua da Palma, depois de passarem pela Rua do Sol e pelo Largo do Carmo, naquela noite de novembro de 1908, quando um deles, o mais novo, estaca e segura o colega de farda pelo braço:
– Bastião, já andamos do Campo de Ourique pra cá, e nada. Tudo quiriri!
– É mermo, Buré!
Para os lados da Sé, tinha um movimento. Para as bandas do Largo do Desterro, uma batucada, que não dava para se saber o que era. Só se sabia que tinha grode por lá.
– Bastião, tu tem coragem de fazer o diabo hoje?
O branco se espanta:
– Fazer o quê, Buré?
Buré, que andava fazendo umas lições com a professora Leocádia, para aprender a ler e subir a cabo, se lembrou da palavra tomar, que podia significar beber, e despejou à queima roupa:
– Que tá nós tumar uma?
Bastião ficou pensando, pensando, até que lhe veio à mente:
– E vamos tumar de quem, meu preto?

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