segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A BICICLETA

 

 

Aluísio de Alcântara

 

Teatrinho a Vapor

 


CADICÓ – Malandro da cidade de Turilândia.

GUARDA DA PREFEITURA – Segurança da Prefeitura de Turilândia.

 

Cenário: Área em frente à Prefeitura Municipal de Turilândia

A cena passa-se em dezembro de 2025.

 

Prólogo: Cadicó desce de sua bicicleta e a coloca estacionada bem em frente à rampa de acesso ao prédio da Prefeitura. O Guarda grita para ele tirar a bike de lá.

 

GUARDA – Ei... rapá... Tira isso daí.

CADICÓ – O quê?

GUARDA – A bicicleta...

CADICÓ – Por quê?

GUARDA – Ora, por que... Porque por aqui passa todo mundo da prefeitura: prefeito, vice, secretários e os vereadores... Aí está essa bicicleta fica bem na frente...

CADICÓ – Eu seeeeei, jogador, mas eu vou botar um cadeado...

   

 

 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

SER TREZE

 

Dino de Alcântara

 Teatrinho a Vapor

 Para Darville,

Helena,

Thyago e 

Lindalva.

 

 

Profª. LINDALVA – Docente de uma universidade do maranhense. Trabalha com Literatura Maranhense.

HELENA – Aluna de grande capacidade de leitura.

ANDRÉ FELIPE – Aluno com nível de leitura sofrível.

 

Cenário: Sala de aula do Curso de Letras.

A cena passa-se em 2024.

 

PRÓLOGO – A professora enviou aos alunos, por e-mail, o texto SER TREZE, de Astolfo Marques, conto em que duas personagens, Eleutéria e Raimunda Codó, discutem, numa praça de São Luís, sobre o 13 de MAIO. Agora, na sala de aula, a docente explora com os discentes a narrativa. O que a mestra não sabe é que poucos leram o texto. Muitos só viram o título: "SER TREZE".

 

Profª. LINDALVA – Então, minha gente, o que perceberam de interessante no diálogo entre Eleutéria e Raimunda Codó?

HELENA – Professora, o que significa SER TREZE?

ANDRÉ FELIPE (Tirando os olhos do celular.) – O quê?! Ser treze?!

HELENA – Sim. O que é?

ANDRÉ FELIPE (Com cara de surpresa.) – Porr... tu não sabe o que é isso? 

HELENA – Se tu sabe, diz logo. Não enrola! 

(Barulhos. Muitos riem.)

Profª. LINDALVA – Psssssssiu! Vamos ouvir o André Felipe.

ANDRÉ FELIPE (Com a maior naturalidade.) – Pequena, ser é treze é isto. 

                              (E fez o L.)


 


 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

SEM PARENTES

 Dino de Alcântara

 

 Quando a enfermeira de olhos bem pretos veio lhe chamar para atender a um rapaz que tinha sido atropelado por um carro, o doutor Vico levantou-se rápido de sua mesa e correu até a área de urgência.

– É grave o estado do rapaz?

– Não, doutor. Algumas escoriações e um joelho que precisa examinar. Deve ter os ossos duros que só. Mas o senhor precisa ver.

– Sim. Vou examinar.

– Tudo bem.

– E os parentes dele já foram avisados?

– Doutor, ele disse que não tem parentes próximos.

– Como assim?

– Foi o que ele disse.

O doutor chega até o paciente.

– Doutor, fui atropelado. Quase morro. Se não me bazungasse em cima da calçada, estaria durinho agora.

O Doutor riu.

– E você viu quem foi?

– Só sei que era uma mulher, vindo desembestada daqui do Socorrão. Me pegou bem no Canto da Viração. 

O doutor examina-o com cuidado. Depois de uns minutos:

– O joelho pegou uma pancada grande... Precisamos examinar direitinho. Talvez seja apenas o caso de se enfaixar.

– Doutor, quer dizer que eu vou ficar aqui a manhã todinha.

O doutor riu. Depois, sério:

– A enfermeira me disse que você não tem parentes próximos.

– Doutor, é isso mesmo. Não tenho parentes próximos mais. Até tinha um tio aqui, mas morreu ano passado.

– Nem irmãos?

– Que nada! Moro numa pensão, doutor.

– E de onde eram os seus pais?

– Eram não. São. Não morreram ainda. Estão vivinhos.

– Mas não acabou de dizer que não tinha parentes próximos...

– Próximos, não. Papai e mamãe moram é longe. Em Codó, siô.

 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

TOMAR O QUÊ?

 Dino de Alcântara

 CONTO-ANEDOTA

Dois soldados da Força Policial do Maranhão caminhavam pela Rua da Palma, depois de passarem pela Rua do Sol e pelo Largo do Carmo, naquela noite de novembro de 1908, quando um deles, o mais novo, estaca e segura o colega de farda pelo braço:

– Bastião, já andamos do Campo de Ourique pra cá, e nada. Tudo quiriri!

– É mermo, Buré!

Para os lados da Sé, tinha um movimento. Para as bandas do Largo do Desterro, uma batucada, que não dava para se saber o que era. Só se sabia que tinha grode por lá.

– Bastião, tu tem coragem de fazer o diabo hoje?

O branco se espanta: 

– Fazer o quê, Buré?

Buré, que andava fazendo umas lições com a professora Leocádia, para aprender a ler e subir a cabo, se lembrou da palavra tomar, que podia significar beber, e despejou à queima roupa:

– Que tá nós tumar uma?

Bastião ficou pensando, pensando, até que lhe veio à mente:

  E vamos tumar de quem, meu preto?  

 

DINHEIRO E PODER

  Dino de Alcântara   Teatrinho a Vapor   LÍDIA – Esposa de Itevaldo. Mulher deslumbrante. Tem, no máximo, 40 anos. Vê-se que apresenta ...